O pecado é algo que entristece o coração. Pessoas comprometidas com Deus, com Sua palavra e que procuram seguir Seus ensinamentos, quando falham com Ele sentem-se muito tristes. Mas, de certa forma, esse sentimento me alegra. Meio contraditória essa afirmação, não? Ficar alegre por sentir-se triste, rs. O que quero dizer é que essa tristeza é para mim um termômetro que mede minha relação com Deus.
Quando desagradamos alguém que não tem muita importância para nós, alguém de quem não somos amigos, um alguém qualquer, isso não nos incomoda. No entanto, se magoamos alguém que nos é importante, ficamos mal. Pesa em nosso coração um arrependimento e o desejo profundo de que o desagrado não tivesse ocorrido. E pior, fica a dificuldade de encarar o alvo de nossa maldade. Esse sentimento abala o belo relacionamento de outrora. Nessas horas compreendo as palavras de Davi quando pediu a Deus “restitui-me a alegria da salvação”, Salmos 51:12, ou a atitude de Adão quando escondeu da presença do Pai quando este foi visitá-lo, Gênesis 3:8. O pecado rouba nossa alegria e nossa comunhão com Deus.
Quando digo que esse desconforto me alegra, é porque através dele, percebo o quanto Deus é importante para mim, de fato, e como eu gostaria de não tê-lo magoado. Então você pode me dizer “mas todo mundo ama a Deus, isso não carece de comprovação”. Religiosamente, todos amamos a Deus sim, mas eu não quero amá-lo dessa forma, quero amá-lo com verdade.
A religiosidade impõe que devemos amar a Deus. No entanto, apesar dessa afirmação automática da maioria de nós, muitas vezes não nos relacionamos com ele. Que amor é esse? Então, quando o desagradamos, isso não faz muita diferença para nós, pois não somos “amigos”. Esse sentimento de indiferença com o pecado denuncia nossa frieza em relação a Deus.
Desejo amar a Deus acima de todas as coisas, com verdade e inteireza de coração. Quando peco sei que o amo. Mas quero amá-lo tanto mais, a ponto de conseguir não desagradá-lo.